A TIM fechou na sexta-feira à noite a compra da Intelig, poucas horas depois de ter anunciado ao mercado um plano de "relançamento" da companhia. As medidas são a aposta da operadora para deixar para trás a maré ruim em que mergulhou no ano passado, quando perdeu a segunda colocação do mercado para a Claro e enfrentou a queda em alguns indicadores financeiros.
A aquisição da Intelig, que pertencia à Docas InvesTIMentos, dá um novo perfil à TIM. Com o negócio, fechado por um valor não revelado, a operadora amplia sua capacidade de transmissão de dados para atuar como provedora de acesso à internet e ganha capilaridade nas áreas metropolitanas, onde o tráfego é crescente.
A compra se encaixa na proposta de "relançamento" desenhada pela nova diretoria da TIM. A oferta de novos pacotes de serviços, combinando telefonia fixa, móvel e internet, é um dos pilares dessas medidas, que abrangem também o reposicionamento da marca e maior eficiência no uso da rede.
"A TIM perdeu competitividade, levando a uma queda na nossa participação de mercado", afirmou Luca Luciani, que assumiu neste ano a presidência da operadora. "Entretanto, a TIM tem fundamentos fortes, que serão importantes na estratégia de relançamento da companhia", disse o executivo, que promoveu teleconferências com jornalistas e analistas para comentar os resultados de 2008 e apresentar o "plano de relançamento" da empresa.
Nessa empreitada, a TIM definiu as classes A e B como seu alvo prioritário. A medida marca um retorno da operadora à estratégia de concentrar sua artilharia para atrair e reter os assinantes mais rentáveis - modelo que foi a base de seu sucesso alguns anos atrás.
Para Luciani, a queda da receita média gerada por assinante e a perda de clientes nos primeiros meses de portabilidade numérica no Brasil são sinais da forte concorrência no mercado nacional de telefonia móvel e indicam problemas que precisam ser atacados pela operadora. "O mercado brasileiro é amplo, mas muito competitivo em volume e em valores", observou o executivo.
Em outra frente, a TIM está promovendo uma limpeza em sua carteira de clientes. Segundo Luciani, entre 80% e 90% dos cortes são de pré-pagos. O números de desconexões não foi revelado. "É um fato contingente e marginal, que não vai gerar impacto econômico", disse.
A arma com a qual a companhia pretende atrair mais clientes dos segmentos mais ricos da população brasileira é a oferta de pacotes "três em um", que combinam telefonia fixa, celular e banda larga. Os chamados "combos" são um modelo já explorado pelas empresas de telefonia fixa e de TV por assinatura para garantir a fidelidade dos clientes. Os novos pacotes devem chegar ao mercado no segundo trimestre.
Enquanto isso não acontece, a TIM começa a explorar um mercado ainda inédito no Brasil: o de banda larga pré-paga. A partir de hoje, a operadora vai vender cartões de R$ 5 que permitem o acesso à internet por 24h, com direito de usar 250 megabytes em downloads. O modem para conexão à web custará R$ 299. O foco não são clientes de baixa renda, mas "usuários ocasionais", afirmou Luciani. Ao mesmo tempo, a operadora redefiniu seus planos de banda larga pós-paga.
Desde meados de 2008, a TIM vinha costurando um plano de reorganização de seu organograma e de sua estrutura comercial. As medidas de relançamento foram definidas em janeiro deste ano pela diretoria, afirmou Luciani. "O plano não é maximamente original. É a reprodução do que nós já fazemos na Itália com sucesso", disse.
As teleconferências de sexta-feira foram as primeiras apresentações de Luciani ao mercado brasileiro desde que chegou ao país para substituir Mario Cesar Pereira de Araujo, que foi para o conselho de administração.
No ano passado, a TIM enfrentou dificuldades para cumprir suas metas financeiras e foi alvo de especulações de que seria vendida pela Telecom Italia para a Telefónica. A matriz desmentiu os rumores e colocou o Brasil como um de seus pilares de crescimento, mas não conseguiu dissipar as dúvidas dos investidores quanto ao futuro da companhia